sábado, 21 de abril de 2018

Crowdfunding do livro «Vestir a Mesa»

O meu próximo livro «Vestir a Mesa. Séc. XV-XX» é um projecto em crowdfunding apoiado pelo Paço dos Duques de Bragança, Castelo de Guimarães e respectivas associações juntamente com o Museu de Alberto Sampaio de Guimarães e a Associação Amiguinhos do Museu.
Embora existam muitos estudos parcelares este é a mais completa investigação sobre este tema, mesmo a nível internacional, com valorização de um património nacional cada vez mais esquecido.
Famíla feliz. Rijksmuseum
É uma edição bilingue e de grande cuidado gráfico que pode ser apoiada pela aquisição prévia de livros, a preço mais baixo. A campanha de financiamento é suportada pela aquisição de livros, cujo preço é progressivamente inferior quanto maior for o número de livros adquiridos. No final do livro será incluído o nome do apoiante (pessoal ou empresa) sendo-lhe atribuída uma estrela de cor diferente conforme o número de livros adquiridos. O pagamento dos livros será feito a uma das Associações e o dinheiro devolvido caso não se consiga concretizar o projecto. 
Guardanapos de papel do Japão. Início séc. XX.
Como é difícil explicar com clareza e não posso pôr aqui as condições do livro, bem como o “mono” do livro com índice para avaliarem da obra, podem contactar-me pelo mail garfadasonline@gmail.com  e eu envio-as directamente, enquanto o Museu não publicita o projecto. Podem também contactar directamente a Associação de Amigos do Paço dos Duques de Bragança e Castelo de Guimarães, cujo e-mail é: aapdbcg@gmail.com.
 A campanha inicia-se em Abril e termina em Setembro 2018. Estima-se que este livro esteja impresso em meados de Novembro, permitindo que possa ser adquirido a tempo e oferecido como prenda de Natal. Serão apenas comercializados 1000 exemplares.
Espero que achem uma boa ideia. Agradeço o vosso empenho.
Lavadeira. Azulejo Battistini
PS: Por favor difundam esta mensagem entre os vossos amigos. Podem também associar-se para conseguir preços mais baixos.

sábado, 14 de abril de 2018

Colóquio: Ritmos, vivências e percepções da noite

Nos dias 17 e 18 de Abril vai ter lugar na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (Nova), na Avenida de Berna, em Lisboa, o Colóquio «Lembrar-me-ei desta noite nem que viva mil anos». Ritmos, Vivências e percepções da noite na Idade Moderna.
Eu irei falar no dia 18 sobre «Medianoche e outras refeições nocturnas».
A entrada é livre e o evento, com um programa muito interessante, terá lugar no Auditório 1, Torre B.

Programa 
17 ABRIL
9h30 – Francisco Caramelo (Director da NOVA FCSH), Pedro Almeida Cardim (Subdirector do
CHAM), Edite Alberto (Coordenadora do Grupo de Investigação Sociedade, Política e Instituições do
CHAM), Ana Isabel Buescu (Membro da Comissão Científica do colóquio), Andreia Fontenete Louro (Membro da Comissão Organizadora do colóquio)
OS PODERES E A NOITE
Moderação: Pedro Almeida Cardim (CHAM-FCSH/NOVA)
9h50 – Catarina dos Santos Viegas (NOVA FCSH) e Raquel Gomes Justo (NOVA FCSH) – Noites
cristianíssimas e fidelíssimas: os hábitos nocturnos do Rei Sol e do Rei Magnânimo
10h10 – Ana Isabel Buescu (CHAM/NOVA FCSH) noite e noites de um diplomata em Paris: Duarte
Ribeiro de Macedo, 1668-1676
11h30 – Nuno Gonçalo Monteiro (ICS-FLUL) – A noite dos «duelistas»: padrões de violência urbana
em Lisboa. Breves notas
11h50 – Paulo Dias (CHAM/NOVA FCSH) – “Ó noite má pera quem t’aparelhas”: A noite em contexto militar (séculos XV e XVI)
12h10 – Debate
12h30-13h50 – Almoço livre

À NOITE, NAS RUAS
Moderação: Ana Paula Avelar (CHAM-FCSH/NOVA)
13h50 – César Pedro Rodrigues (NOVA FCSH) e Miguel Saraiva (NOVA FCSH) – A noite flutuante:
introdução aos quartéis de prazer no Japão Moderno
14h10 – José Pedro Paiva (CHSC-FLUC) – À noite há bruxas? O simbolismo nocturno no mito da
bruxa europeia na Época Moderna
14h30 – Isabel dos Guimarães Sá (ICS-UM) – A noite e os seus interditos (séculos XVI-XVIII)
14h50 – Debate
15h10 – Amândio Barros (CITCEM-FLUP) – “Com uma candeia que lhe ilumine o rosto”. Notas sobre a noite numa cidade portuária dos séculos XV e XVI
15h30 – Rosa Fina (CLEPUL/FLUL) – À procura das personagens da noite lisboeta, entretecendo
mito, literatura e história (séculos XVIII e XIX)
15h50 – Debate. 16h10 – Fim dos trabalhos

18 ABRIL
A NOITE NO ESPAÇO PRIVADO
Moderação: Isabel dos Guimarães Sá (ICS-UM)
10h00 – Maria Paula Marçal Lourenço (CH-FLUL) – Entre as sociabilidades “lícitas” e “ilícitas” dos
Reis de Portugal (segunda metade do século XVII-século XVIII): espaços, vivências e intimidades
nocturnas.
10h20 – António Camões Gouveia (CHAM/NOVA FCSH) – Da noite das Regras à noite dos sentidos
10h40 – Debate
11h00 – Pausa
11h20 – Carlos de Almeida Franco (CITAR-UCP) – Penumbra e silêncio, luz e festa: as longas noites nas casas nobres no final do Antigo Regime
11h40 – Ana Marques Pereira (Garfadas Online) – Medianoche e outras refeições nocturnas
12h00 – Debate
12h20-13h30 – Almoço livre

ENCENAÇÕES E REPRESENTAÇÕES
Moderação: Ana Leal de Faria (CH-FLUL)
13h30 – André Filipe Neto (CHAM/NOVA FCSH) e Sara Bravo Ceia (CHAM/NOVA FCSH) – Preencher a noite: aproximações ao barroco quotidiano
14h10 – André Filipe Godinho (NOVA FCSH) e Andreia Fontenete Louro (NOVA FCSH) – “Os
lumes das noites emulavam o céo nas estrelas”: a iluminação festiva nos séculos XVI e XVII
14h30 – Debate
14h50 – Isabel Monteiro (Dolcimelo) – Músicos na noite (séc. XVI): indesejáveis ou indispensáveis?
15h10 – Ana Paula Avelar (CHAM/NOVA FCSH) – Do cronotopo da noite na cronística portuguesa de Quinhentos
15h30 – Carla Alferes Pinto (CHAM/NOVA FCSH) – A noite que se instala: A lírica de Camões e os
relatos da morte da Infanta D. Maria (Outubro de 1577)
15h50 – Debate
16h10 – Pausa
16h30 – Mesa Redonda moderada por Ana Isabel Buescu (CHAM/NOVA FCSH), com Ana Paula
Avelar (CHAM/NOVA FCSH), António Camões Gouveia (CHAM/NOVA FCSH), Maria Paula Marçal Lourenço (CH-FLUL) e Pedro Almeida Cardim (CHAM/NOVA FCSH)
17h30 – Debate
18h00 – Encerramento dos trabalhos

quinta-feira, 5 de abril de 2018

Chegada da Primavera

Fotografia de composição com raras andorinhas azuis de Barcelos sobre Revista de Turismo, número especial dedicado ao Algarve, de 1942.

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Convite «Artes do Vidro no Consumo dos Licores»


No próximo dia 7 de Abril às 15,30 vou fazer uma conferência no museu do Vidro da Marinha Grande.
Com o título «Artes do Vidro no consumo dos Licores» será uma revisão pelos objectos que ao longo dos últimos séculos serviram para apresentar ou consumir os licores.
No século XIX, período áureo desta moda, os objectos tomaram formas exuberantes que serviam para orgulhar os anfitriões durante o serviço de licores que tinha lugar após o jantar, juntamente com o café.
 A partir de meados do século XX os licores ficaram cada vez menos na moda e o vidro fazia as suas últimas aparições nos conjuntos de cálices de múltiplas cores, para logo ser suplantado por novos materiais, como por exemplo o alumínio anodizado.
A conferência encerra a exposição que termina no dia 8 de Abril onde se encontram patentes algumas das garrafas da minha colecção.
Última oportunidade portanto para visitar a exposição. Terei muito prazer na vossa presença.

terça-feira, 27 de março de 2018

A Quinta-feira da ceia

Ao preparar uma comunicação para um colóquio sobre a noite (“Lembrar-me-ei desta noite, nem que viva mil anos”: Ritmos, Vivências e Percepções da Noite na Época Moderna), que terá lugar nos dias 17 e 18 de Abril de 2018, na FCSH/NOVA, em Lisboa, cruzei-me inexoravelmente com imagens da Última Ceia.
No século XVIII, Bluteau, referia-se à 5ª Feira-Santa como a Quinta-Feira da Ceia, expressão que se perdeu, mas que nos remete para a Última Ceia de Cristo.
Pormenor
Embora os horários das refeições tenham mudado ao longo dos séculos a ceia foi sempre uma refeição noctura. Porque razão então, dos milhares de interpretações desta ceia mais famosa de sempre, apenas algumas nos apresentam um ambiente nocturno?

Fui procurar ceias nocturnas e entre elas sobressai uma das muitas ceias pintadas por Tintoretto. Nessa pintura o uso da luz restringe-se a um candelabro de tecto e ao halo que emana da cabeça de Cristo. É um halo grande, superior ao das cabeças dos apóstolos, mas, no conjunto, estas luzes são suficientes para iluminar a cena, os personagens envolvidos no serviço da ceia e os anjos que voam dentro da sala.
Há uma magia nesta pintura que nos prende e que se afasta das representações mais frequentes da Última Ceia, em especial na pintura da Renascença, e em que a mesa se apresenta paralela aos nossos olhos.
Mas melhor do que eu alguma vez poderia dizer, é ouvir a explicação desta obra pela Khanacademy. Vão ficar maravilhados.

sexta-feira, 23 de março de 2018

Museu Virtual: Caixa para Chá



Nome do Objecto: caixa para chá (tea caddy)

Descrição: Caixa em madeira com seis gomos e tampa. Lacada em castanho e com desenhos e reservas em dourado. Estas representam seis cenas diferentes com figuras masculinas e femininas sentadas, envolvidas por plantas (de chá?). No interior encontra-se caixa em estanho com tampa dupla, a interior com pequeno botão central em marfim. Assenta em três pés trabalhados e dourados. Apresenta fechadura e chave para evitar furtos.
 
Material: Madeira lacada e dourada e estanho.

Época: Início do século XIX (primeira metade, c. 1840)

Marcas: Não apresenta.

Origem: Mercado português.

 Grupo a que pertence: Recipientes para guardar ou transportar alimentos

Função Geral: Recipiente para serviço e consumo de bebidas.

Função Específica: Preservar as folhas de chá, sem humidade e manter o cheiro.

 Nº inventário: 3300

Objectos semelhantes: Não inventariados.

 

Notas:

Durante o século XVIII foram usadas em Portugal caixas para chá em porcelana da China ou em prata, com o mesmo fim, muitas vezes com as armas dos encomendadores.
 Este tipo de caixa para chá em chinoiserie é extremamente raro, em especial com esta tipologia. Designado em inglês melon tea caddy, devido à sua forma em melão, existem com outras formas de frutas como as caixas com formatos de pêras ou de maçãs. Surgiram no início do século XIX. Depois de 1850 as caixas para chá apresentam-se mais frequentemente em madeira, com cavidades duplas ou triplas.

segunda-feira, 12 de março de 2018

Lançamento do Livro das Pitanças


Vai ser lançado no próximo dia 15 de Março, às 17 horas, no Convento de Mafra um interessante livro denominado «Livro das Pitanças».
Passamos assim a ter acesso a um manuscrito conventual do século XVIII, designado Princípio e Fundação do Real Convento de Mafra, e sua grandeza, e sua sustentação, e luxo, etc. que é um códice pertencente ao Palácio Nacional de Mafra e que se conserva na sua extraordinária biblioteca (Casa da Livraria como era apelidada no livro).
A outra designação mais apelativa e simples, Livro das Pitanças, deve-se ao facto de nele estarem também registados os bens de consumo destinados aos religiosos.
Bluteau descreve os vários sentidos para esta palavra ao longo dos tempos mas a principal é a sua utilização para designar uma ração dada nas comunidades religiosas, em especial a que se consumia nos dias de festa.

Quem puder estar presente pode ter o livro em primeira mão e deleitar-se de imediato. Para os outros interessados ficam a saber que dispõem agora de mais uma valiosa fonte de informação sobre o Convento de Mafra e o quotidiano dos religiosos que o habitaram.